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Archive for Junho, 2012

Sorrir-lhe-ei até quando vier

»»»»» No seu tom confessional, António Nobre (1867- 1900) manifesta, em vários sítios da sua poesia, essa vontade entre o genuíno e o blasé de nada prosseguir, nada estreitar ou abraçar, expressão que recupero do verso de Marguerite Yourcenar: “J’ai cessé d’espérer, de poursuivre ou d’étreindre” (Endymion, 1928).

»»»»» António Nobre escreve: “mas enfim [a morte]  pode vir quando quiser. / Eu estarei de pé, firme e sereno, / sorrir-lhe-ei até quando vier”. Figura recorrente, esta que apresenta a morte enquanto entidade humanamente, ou mais propriamente desumanamente capaz de decisões, e actuando conforme sua vontade ociosa, seu capricho. E à qual o estóico, que o poeta entende ser “de pé, firme e sereno”, reage com um sorriso.

»»»»» O soneto onde ocorrem estes versos é um repositório de reflexões usuais na tradição poética ocidental. Reflexões comuns aos seres humanos na sua deriva: a indiferença divina quanto às preces humanas; a finitude do que existe no mundo; a renúncia estóica ou resignada à vida; o desengano das coisas do mundo, enunciando as “vaidades” enquanto “misérias”; o conceito de que tudo é “ilusão”, em que só por “ingenuidade” juvenil e risível se acredita. Este conceito, tão exasperadamente glosado na poesia maneirista e barroca, ilude o facto de que o psiquismo humano é uma longa construção, e que viver cada momento, ou cada “ilusão” que o momento oferece é o que constitui a humanidade própria a cada um, em cada irrepetível sucessivo estádio da vida — e cada época histórica é fértil na oferta de “ilusões”, umas talvez mais úteis do que outras.

»»»»» Há versos, em outros poemas de António Nobre, onde a sensitividade relativa à morte adquire uma tonalidade lancinante.

»»»»» Reproduzo o soneto a partir do qual se coordenam as considerações anteriores, e que integra o livro de versos póstumo Despedidas (1ª edição, 1902):

 

Pedi-te a fé, Senhor, pedi-te a graça,

mas não te curvas nunca, p’ra me ouvir.

Tudo acaba no mundo… tudo passa,

mas só meu mal se foi e torna a vir.

 

Não busco a morte com arma ou veneno,

mas enfim pode vir quando quiser.

Eu estarei de pé, firme e sereno,

sorrir-lhe-ei até quando vier.

 

Tristes vaidades d’este pobre mundo!

Já me parecem tais como elas são:

tristes misérias d’este mar sem fundo.

 

Se tive algumas eu, na mocidade,

não foram elas mais que uma ilusão.

E um dia eu ri da minha ingenuidade!

 

Lisboa, Janeiro, 1896

»»»»» (Para este texto utilizei a edição da Poesia completa, com prefácio de Mário Cláudio, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2000.)

António Sá

[20.06.2012]

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Uma quadra de Marguerite Yourcenar               

»»»»» Em mil novecentos e vinte e oito, Marguerite Yourcenar (1903-1987) escreveu um poema intitulado Endymion, constituído por dezoito quadras em verso alexandrino. Delas transcrevo para português, com algum lapso recriativo, a penúltima:

Deixei de esperar ou prosseguir ou abraçar;

sou só esquecimento respirando no embalo.

A sombra, secreto seio onde há nada a temer,

faz da tão extensa vida um pesadelo antigo.

»»»»» A vida é sempre extensa no instante que vem e vai. Este instante que lês é extensão da vida. O instante seguinte vem por acréscimo e não é certo.

»»»»» É uma quadra onde se repercute a extensão dos instantes de vida, que aceita o seu termo num apaziguante  “esquecimento” (“oubli”), onde vida ainda existe, mas é só um embalo, regresso ao “seio” (“giron”) que primeiro nos embalou. E a vida, tão extensa em cada seu instante, apresenta-se como “pesadelo antigo” (“cauchemar passé”). Pesadelo nosso, onde figuramos com os outros, figuras de pesadelo, umas talvez de sonho envolvente, outras de horror, mas tudo se funde enfim no contexto de pesadelo.

»»»»» A versão original da quadra é:

J’ai cessé d’espérer, de poursuivre ou d’étreindre;

Je ne suis qu’un oubli respirant et bercé.

L’ombre, secret giron où plus rien n’est à craindre,

Fait de l’immense vie un cauchemar passé.

»»»»» (Para este texto utilizei o livro de versos Les charités d’Alcippe, Éditions Gallimard, 1984 [1ª edição em La Flûte enchantée, Liège, 1956].)

António Sá

[01.06.2012]

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Eis-me a cantar do que eu não quereria

»»»»» Destaco primeiro e simplifico alguma terminologia usada na tradução, cingindo-me ao seu valor contextual. Por “mercês” pode-se entender “atenções”, as atenções que prestamos aos seres amados. “Preço” será o valor que atribuímos a um ser humano belo, inteligente, e a palavra inteligente pode explicar o que significa “senso”: uma pessoa com “senso” é uma pessoa sensata, que adequa o seu comportamento às situações da vida. Já “desvalida” é, obviamente, uma pessoa que perdeu o seu valor, ou nunca o teve, enfim desprovida de “preço”. Quanto a “estado”, palavra que ocorre na tradução da quinta estrofe, explica a classe social elevada a que a “dona” pertence: pertence a um alto “estado”, ou seja, à nobreza.

»»»»» Tudo vocabulário medievo e renascentista, que ainda hoje não é difícil de entender, e os contextos em que ocorrem muito ajudam a entendê-los.

»»»»» Na coda (última breve estrofe) ocorre a belíssima palavra “dano”, tão camoniana: aqui significa todo o mal que pode advir a alguém que não é justo, nem correcto.

»»»»» Agora leia-se em português o que La Comtessa de Dia (segunda metade do século XII) cantou em provençal:

Eis-me a cantar do que eu não quereria,

tal o rancor contra aquele de quem sou amiga,

porque o amo mais que outra coisa que exista;

mas dele não espero mercês nem cortesia,

nem me valem beleza, nem preço, nem senso,

antes me encontro enganada e traída,

como devendo ser se fosse desvalida.

 

Só me conforta saber que inda não falhei,

amigo, a vosso desfavor, por nenhuma acção,

antes vos amo mais que Seguís a Valença,

e muito me agrada que eu em amor vos vença,

ó meu amigo, que sois o mais valente;

tratais-me com orgulho por palavras e modos

enquanto sois amável para com toda a gente.

 

Bem me maravilha o orgulho do vosso coração,

amigo, contra mim, e é razão por isso que eu me doa;

não é justo que um outro amor vos aparte de mim,

por muito que ele vos segrede ou vos acolha;

lembre-vos antes quais foram os começos

do nosso amor, assim Deus não queira

que por minha culpa nos separemos.

 

A grande valentia que em vós se abriga

e o alto preço que tendes me inquietam,

que nenhuma dona conheço, distante ou vizinha,

disposta a amar, que pra vós não se incline;

mas vós, Amigo, sois tão bom conhecedor

que bem deveis reconhecer quem é mais fiel,

assim lembre-vos o nosso entendimento.

 

Devo-me valer do meu preço e meu estado

e minha beleza, mais meu firme empenho,

pelo que vos mando lá onde tendes vossa morada

esta canção que me seja mensageira;

e quero saber, ó meu belo, gentil amigo,

por que me sois tão fero, tão selvagem,

não sei se por orgulho, se por má vontade.

 

Mas inda quero mais, mensageira, que lhe digas

que do muito orgulho vem dano a muta gente.

»»»»» Vale a pena comentar estes versos? Em breve: a dona queixa-se ao amigo, e a canção é a mensageira da sua queixa, de que este a desconsidera, acaso a despreza, esquecendo-se deliberadamente dos bons momentos com ela passados, enquanto se mostra amável com toda a outra gente, e todas as mulheres o desejam. Na coda, rapto filosófico final, ela adverte esse talvez falso amigo de que o muito orgulho que ele ostenta, por ser tão valente e de tão alto “preço”, pode vir a trazer-lhe grande “dano”. Será isto uma ameaça velada? “Amics”, tem cuidado! Mas a ameaça atenua-se enquanto adopta uma inflexão generalizadora: a todas as pessoas orgulhosas, desdenhosas, grandes desfeitas, grandes desastres estão reservados.

»»»»» Incrustados na canção encontram-se sintéticos e padronizados retratos das figuras feminina e masculina. E uma referência aos amantes Seguís e Valença, protagonistas de um romance que se perdeu.

»»»»» Observações finais

1ª) Esta é a única das quatro canções de La Comtessa de Dia de que se encontrou a notação musical: pode-se ouvir com proveito no CD Troubadours, Clemencic Consort, harmonia mundi, 1977; ou ainda no CD Cansós de trobairitz, Hespèrion XX, EMI, 1978 e 1990, onde se gravou uma versão na voz de Montserrat Figueras.

2ª) Encontra-se uma referência entusiasta a esta canção na obra de Henri-Irénée Marrou Les troubadours, na secção em que este historiador se ocupa da música dos trovadores.

»»»»» Versão original:

A chantar m’èr de çò qu’ieu non volria,

Tant me rancur de lui cui sui amia,

Car eu l’am mais que nulha ren que sia ;

Vas lui no’m val mercés ni cortesia,

Ni ma beltatz ni mos prètz ni mos senz,

Qu’atressi’m sui enganad’e traïa,

Cum degr’èssar, s’ieu fos desavinenz.

 

D’aiçò’m conòrt quar anc non fi falhença,

Amics, vas vos, per nulha captenença,

Anz vos am mais non fetz Seguís Valença,

E platz mi mout quez eu d’amar vos vença,

Lo mieus amics, car ètz lo plus valenz;

Mi faitz orguòlh en dichz et en parvença

E si ètz francs vas totas autras genz.

 

Be’m naravilh cum vòstre còrs s’orguòlha,

Amics, vas me, per qu’ai razon qu’ie’m duòlha;

Non es ges dreitz qu’autr’amors vos mi tuòlha

Per nulha ren qu’us diga ni’us acuòlha;

E membre-vos quals fo’l  començamenz

De nòstr’amor, ja Domnidieus non vuòlha

Qu’en ma colpa sia’l departimenz.

 

Proeza granz qu’el vòstre còrs s’aisina

E lo rics prètz qu’avètz me n’ataïna,

Qu’una non sai, lonhdana ni vezina,

Si vòl amar, vas vos non si’aclina;

Mas vos, Amics, ètz ben tan conoissenz

Que ben devetz conóisser la plus fina,

E membre-vos de nòstres  covinenz.

 

Valer mi deu mos prètz e mos paratges

E ma beutatz e plus mos fis coratges,

Per qu’ieu vos mand lai ont es vòstr’ estatges

Esta chançon que me sia messatges ;

E vuòlh saber, lo mieus bèls amics genz,

Per que vos m’ètz tan fèrs ni tan salvatges,

Non sai si s’es orguòlhs o mals talenz.

 

Mas  aitan plus vuòlh li digas, messatges,

Qu’en tròp d’orguòlh an gran dan maintas genz.

»»»»» [Para esta tradução foi utilizado o texto constante da obra Chants d’amour des femmes troubadours,  de Pierre Bec, Stock/Moyen Age, Paris, 1995. E consultou-se o estudo de H.-I. Marrou Les troubadors, Éditions du Seuil, 1977 (1ª ed.: 1961)]

António Sá

[20.03.2012 / 06.06.2012]

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De Alegria e de Juventude me inundo

»»»»» Desta dòmna, La Comtessa de Dia (terá vivido na segunda metade do século XII), trobairitz, termo usado para designar as compositoras de cantigas, traduzo, a partir do provençal do século XII em que foi escrita, a cantiga Ab Jòi et ab Joven m’apais  [De Alegria e de Juventude me inundo] de que não se conhece hoje a notação musical. A que adiciono, mais adiante, o texto original:

 

De Alegria e de Juventude me inundo,

e Alegria e Juventude ambas me inundam,

porque o meu amigo é o mais alegre

e por ele eu estou satisfeita e alegre;

e sendo-lhe eu sempre verdadeira

bom é que ele me seja verdadeiro,

porque de o amar nunca me inibo

nem tenho coração que mo iniba.

 

Muito me agrada porque sei que vale tanto

aquele que tanto desejo que me tenha,

e sobre esse que primeiro me atraiu,

peço a Deus que sobre ele alegria atraia.

E a quem contra ele se retraia

ninguém o creia, não sendo eu a retraí-lo,

que muitas vezes colhemos as vergastas

com que nós mesmos nos vergastamos.

 

E uma dona de alto preço que se preza

deve alto pôr  o seu prezar

num altivo cavaleiro e valente,

e tanto que conheça sua valentia,

há-de ousar amá-lo em presença;

que se uma dona expõe o seu amor presente,

nem os altivos nem os generosos

lhe hão-de louvar mais que a generosidade.

 

Que eu para mim escolhi um altivo nobre

por quem o Valor se melhora e enobrece,

benevolente, hábil e sabedor,

grandes são o seu senso, sua sabedoria.

Rogo-lhe que ponha em mim sua crença,

e ninguém possa nunca levá-lo a crer

que eu por alguma vez lhe falhe,

desde que nunca o encontre em falta.

 

Floris, a vossa valentia

conhecem-na os altivos e os valentes,

pelo que de vós quero de momento,

se vos agrada, o vosso acolhimento.

 

»»»»» Algumas interpretações e observações:

  1. O segundo verso da segunda estrofe, “aquele que tanto desejo que me tenha”, corresponde bastante literalmente ao verso original, “Cel que plus desir que m’aia”. A última palavra é a forma “aia” [port.,” haja”], presente do indicativo provençal do verbo haver, com o sentido de “ter”, “possuir”.
  2. As palavras “Alegria” (“Jòi(s)”), “Juventude” (“Joven(z/tz)”) e “Valor” (“Prètz”) são usadas com maiúsculas quando correspondem a conceitos abstractos, representando noções, valores supra-individuais.
  3. Nos dois últimos versos da segunda estrofe, recorre-se ao que seria uma máxima popular exprimindo a ideia de que, muitas vezes, as pessoas recolhem os instrumentos (as “vergastas”) que se vão tornar em instrumentos de auto-punição. Tal sucede, neste caso, quando acreditam nos maldizentes para se inibirem de encontrar a sua alegria com aqueles de quem se diz mal. Estes dois últimos versos completam o sentido dos dois anteriores: que ninguém acredite naqueles que contra o seu amigo se “retraiam”, ou seja, que digam mal dele e o evitem, se não for ela mesma quem diga mal do amigo e o evite. Por indução se perspectiva que a maledicência e a difamação seriam modos comuns de neutralizar ou anular as pessoas na corte provençal do século XII. Em contraste com estes maldizentes, surgem, nos dois últimos versos da terceira estrofe, as figuras dos “altivos” (“pro”) e dos “generosos” (“avinen”), ou seja, os que valem por si mesmos, sem recurso à maledicência e à difamação. Estes, mais válidos, valorizam a “generosidade” da dona que expõe, sem reservas, o seu amor pelo homem da sua escolha, o “altivo cavaleiro e nobre”.
  4. De observar que o retrato da figura masculina incide, nesta cantiga, exclusivamente sobre o carácter. Sob a égide da Alegria e da Juventude, que serão atributos do “amigo”, vão ocorrendo os termos caracterizadores: “alegre” (“gais”); “altivo cavaleiro e valente” (“pro cavalièr valen”); “altivo” e “nobre” (“pro” e “gen”); enfim ele é aquele no qual reside a “valentia” (“valença”). Nele ela põe sua esperança que lhe seja verdadeiro e constante.
  5. A palavra “preço” tem um sentido relativamente restrito: utilizei-a na tradução do verso “E dona de alto preço que se preza”, não porque a dona tenha um “preço” no sentido correntemente monetário que é o actual, antes investindo a palavra do sentido de “mérito”, assim fazendo corresponder “preço” ao provençal “prètz”. Nas cantigas galego-portuguesas do século XIII ocorre com grande frequência a palavra “prez”, que corresponde ao sentido do “prètz” provençal, para valorizar as muitas qualidades, o elevado “mérito” da dona.
  6. “Floris” é o nome poético que abre a coda, estrofe final mais curta. Utilizado pela trobairitz para nomear o seu “amigo” que, segundo se depreende do texto e segundo os dados biográficos conhecidos, não era o seu marido. Com a ressalva de que sempre convém não confundir o texto e a biografia.

 

»»»»» Segue-se o texto de origem:

Ab Jòi et ab Joven m’apais

Et Jòis et Jovenz m’apaia,

Que mos amics es lo plus gais

Per qu’ieu sui coindet’ e gaia ;

E pòis eu li sui veraia,

Be’s tanh qu’el me sia verais,

Qu’anc de lui amar non m’estrais

Ni ai còr que me n’estraia.

  

Mout mi plai car sai que val mais

Cel que plus desir que m’aia,

E cel que primièrs lo m’atrais,

Dieu prèc que gran jòi l’atraia,

E qui que mal le’n retraia

No’l creza, fòrs qu’ie’l retrais ;

Qu’òm cuòlh maintas vetz los balais

Ab qu’el mezeis se balaia.

 

E dòmna qu’en bon prètz s’enten

Deu ben pausar s’entendença

En un pro cavalièr valen,

Pòis qu’ilh conois sa valença,

Que l’aus amar a presença ;

Que dòmna, pòis am’a presen,

Ja pòis li pro ni l’avinen

No’i diràn mas avinença.

 

Qu’ieu n’ai chausit un pro e gen

Per cui Prètz melhur’ e gença,

Larc et adreg e conoissen

Ont es sens e conoissença,

Prèc-li que m’aja crezença,

Ni òm no’l puòsca far crezen

Qu’ieu faça vas lui falhimen,

Sol non tròp en lui falhença.

 

Floris, la vòstra valença

Sabon li pro e li valen,

Per qu’íeu vos quièr de mantenen,

Si’us plai, vòstra mantenença.

 

»»»»» Observação final:

Embora não se conheça música escrita por La Comtessa de Dia para esta canção, a musicóloga Karin Paulsmeier considera  que a mesma seria cantada sobre a melodia de Estat ai com hom esperdutz, de Bernart de Ventadorn (3º quartel do século XII), como se pode ler no folheto que  acompanha o CD Cansós de trobairitz, Hespèrion XX, EMI, 1978 e 1990, onde se gravou esta versão na voz de Montserrat Figueras.

»»»»» [Para esta tradução foi utilizado o texto constante da obra Chants d’amour des femmes troubadours,  de Pierre Bec, Stock/Moyen Age, Paris, 1995.]

António Sá

[23.02.2012]

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