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Archive for Fevereiro, 2014

 

“Famílias na guerra”

»»»»» A propósito da edição online da novela “Famílias na guerra”, enviaram-me, da parte da editora Bubok [http://www.bubok.pt/], um conjunto de perguntas sujeitas a respostas breves, destinadas á promoção do livro. Delas (perguntas/respostas), respigo as seguintes:

  • Publicou na Bubok o livro “Famílias na guerra”. Do que trata o livro? — “Famílias na guerra” trata de um episódio ocorrido num lapso temporal de três anos (1988-1990) durante a Guerra Civil que devastou Angola por longo tempo. Em confronto, dois movimentos desavindos pós-eleitoralmente: o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).
  • É uma história real, ficcionada ou… ambas? — História desencadeada na imaginação do autor após ouvir o relato do episódio vivido pelo protagonista, que deu um testemunho circunstanciado, seguido de múltiplas entrevistas e revisões conjuntas de texto.
  • O que o levou a escrever este livro? — Vários factores intervieram para que o autor se decidisse a redigir este relato, entre eles: o acaso de ter sido professor do rapaz que viveu as situações e as relatou; e o facto de o autor ser natural de Angola, embora não da região onde os acontecimentos têm lugar.
  • Qual a melhor parte de ter escrito o livro “Famílias na guerra” e da sua publicação? — A melhor parte da escrita foi o investimento de viver na imaginação esses dias turbulentos, essa vida insegura e errante na mata, na floresta, esses momentos de relativo repouso em remotas sanzalas semi-abandonadas. Quanto à publicação, na Bubok, tratou-se de um demorado investimento ao nível da edição virtual.
  • Porque é que os leitores devem ler este livro? — Porque lerão nele um exemplo dos danos das guerras actuais, todas as guerras. Desencadeadas por interesses claramente turvos e turvamente claros, e de que as principais vítimas são os civis, homens, mulheres e crianças usados e abusados pelas facções em litígio.
  •  Porque é que decidiu publicar na Bubok? — Publicar na Bubok, ao invés de uma editora tradicional, será um modo mais expedito de aceder a um público-alvo — o público angolano. Mais imediato e menos custoso será, a esse público, aceder à edição online em qualquer recanto do território angolano.

António Sá

[22.11.3013]

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Distracção / 42 [O rapto dos feriados]

 

»»»»» Diz-me o filósofo, que já não vejo há tempos, julguei-o morto pelos frios que fazem, o seu jardim é desabrigado:

»»»»» — O meu querido partido, o Partido Comunista Português — e ergue o punho fechado em consonância teatral — troca o termo “roubados” por “abolidos”, para que quantos fossem os feriados “roubados”, ou melhor, “abolidos” pelo Governo, em ano recente, viessem a ser devolvidos por deliberação da Assembleia da República.

»»»»» — Muito bem — disse eu, impaciente. — Você está a par de tudo.

»»»»» — Só que o que eu acho, isto é o que eu acho, é só o que eu acho, é que entre “roubados” e “abolidos”, eu, no meu entender, optaria por “raptados”.

»»»»» — Não sei que lhe diga — disse eu, sempre exasperado no confronto de tais discursividades filosóficas. — Por mim, não haveria nunca nenhum feriado nesta vida!

»»»»» E fiquei-me a olhá-lo, especados eu e ele, ininterpretativos, e eu reflectia retrospectivamente neste meu dissonante destempero, e se calhar…

 

António Sá

[31.01.2014]

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Miniatura / 4 [Imagem de um governador]

»»»»» Leio, no Obituário do jornal “Expresso”, a cinco de outubro de 2013, uma nota, assinada por José Cutileiro, relativa ao falecimento de Silvino Silvério Marques (1918-2013).

»»»»» Este nome e figura fazem-me remontar a tempos iniciais da minha atenção ao mundo para além dos espaços familiar, escolar, desportivo — para além do espaço próximo, esse outro espaço, o vasto espaço das figuras públicas e dos desígnios políticos.

»»»»» Este agora falecido homem, que há décadas não entrava no conspecto das figuras em foco no país, sequer era lembrado, era um general e foi governador de Angola. É nesta qualidade que o recordo. Foi-o no ano de 1962, e alguma coisa na impressão de inteligência que se desprendia das fotos que vinham nos jornais e revistas me fez apreciá-lo desde logo. Eram também os anos em que Kennedy, o carismático John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) transmitia uma similar juvenil dinâmica ao rosto do ser político, até aí por mim visto como um ser hierático, muito muito solene, de que o melhor exemplo era, foi e será o Presidente da República Américo Thomaz (1894-1987), por longos, eternos anos presidente do fascismo perversamente caseiro lusitano.

»»»»» Esta foi a impressão, forte impressão de movimento vital que me deixou o general nesse não muito tempo durante o qual foi governador de Angola, tempo em que iam surgir os Beatles e nunca mais a juventude seria a mesma. Quase miticamente, como se tivesse vivido um conto de fadas e duendes, intuí pelas notícias na rádio que alguma coisa ia já não ser a mesma em Angola, que este governador iria mudar o curso dos acontecimentos. Afinal não mudou. Crianças e adolescentes eram poupados à notícia do terror: massacre de fazendeiros no norte de Angola, em 1961. Só mais tarde soube que Silvino Silvério Marques ensaiara para nada uma negociação com Agostinho Neto (1922-1979), futuro primeiro presidente de Angola já independente.

001

António Sá

[21.10.2013]

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